Padre Fábio de Melo é acusado de heresia por católicos e é alvo de abaixo assinado para retirá-lo da direção espiritual da Canção Nova

Ao que tudo indica, parece que a “gota d’água” para que os próprios católicos chegassem à este ponto foram as críticas que o padre Fábio de Melo fez a religiosidade dos católicos durante um sermão (vídeo abaixo) por afirmar, entre outras coisas, que

os católicos estão vivendo um cristianismo reduzido a medalhinhas

… e que

Maria está fora do lugar dela, tomando o lugar de Cristo.

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Mesmo que não seja citado este sermão na petição online, tudo indica que esta foi uma forma de retaliação pública de alguns católicos que ficaram indignados com as afirmações “pouco ortodoxas” do padre.

Segundo o que mostra o site de petições online Avaaz neste link, é necessário um total de 1000 assinaturas eletrônicas para se chegar ao objetivo.

Vale lembrar aos irmãos católicos que fizeram a petição que eles estão fundamentando suas indagações e acusações apenas baseando-se nos costumes da Igreja Católica, pois nada do que foi relatado na petição está conforme a Palavra de Deus, que é a Bíblia.

Vamos fazer aqui alguns contrapontos da petição para sabermos se o que é alegado tem fundamento conforme a doutrina cristã predominante e princípios bíblicos:
1ª alegação:

Padre Fábio de Melo nega a natureza divina da Igreja, dizendo que Cristo queria implantar o Reino de Deus na Terra.

Sabemos que o padre Fábio de Melo está se referindo ao que a própria essência da escritura diz: Que o Reino de Deus é um conceito fundamental nas duas principais religiões abraâmicas existentes: o Judaísmo e o Cristianismo.

Nesta última, o Reino de Deus constitui o tema principal pregado por Jesus, através de parábolas. Aliás, é a promessa feita em Apocalipse, pois a Nova Jerusalém descerá para Terra da parte de Deus e o próprio Jesus será o Rei Eterno no meio de Seu povo. (Apocalipse 22:3). Assim também, os judeus ainda esperam pela vinda do Rei Eterno, vindo da raiz de Davi.

2ª alegação:

Ele também relativiza a presença real de Cristo na Eucaristia, dizendo que: O que é a presença real?[ …] O pão e o vinho somente? Não.

Ora, apenas em 1545 a 1563 durante o Concílio de Trento é que a doutrina da “transubstanciação” foi afirmada pela “tradição“, que antes disso foi filosofada por Inácio de Antioquia (107 d.c) em sua Carta aos Esmirnenses, ao defender a natureza corpórea de Jesus. Isso se refere a forma de interpretação literal que a igreja Católica faz da passagem, mas não ao que Jesus quis dizer, pois Ele falava em simbologia.

Fica fácil perceber isso quando se lê todas as simbologias no antigo testamento a respeito da vinda de Jesus Cristo, as quais os próprios Judeus não souberam interpretar e assim, não reconheceram a Jesus quando Ele veio em carne. (João 1:10-11)

Por exemplo: o judeus usavam o sacrifício de cordeiros como simbologia para “serem perdoados dos seus pecados“, mas o cordeiro era a representação do que haveria de vir (simbologia), neste caso, Jesus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. (João 1:29)

De modo algum aquele cordeiro do passado era responsável pela remissão dos pecados do povo, era somente a sombra das coisas que viriam, para que o povo entendesse o sentido e importância que Deus queria passar ao Seu povo daquela representação. (Hebreus 10:1; Colossenses 2:16,17,18,20; Hebreus 8:5)

E, se for assim como a igreja católica diz, que Cristo está realmente sendo pão e vinho literal quando da ceia (eucaristia), então porque Jesus fez esta afirmação:

Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. Mateus 18:20?

Ou seja, não haveria necessidade da eucaristia, pois bastava duas pessoas falarem a respeito dEle que Ele estaria presente. Isso mostra que o sentido da eucaristia não é literal, mas simbólico, daquilo que virá, é sombra das coisas que ainda não são. Jesus estava mudando o sentido da páscoa que haveria de acontecer e por ocasião, Ele seria crucificado, pois a ceia que Ele fez foi uma nova e eterna aliança, uma continuidade até que Ele voltasse.

Para entender melhor o conceito da Páscoa, veja nosso outro artigo que explica melhor esse tema clicando aqui!

3ª alegação:

Também faz apologia ao Socialismo, como na entrevista ao Instituto Humanitas Unisino: A proposta de Jesus é socialista, né? O socialismo tem sido mal interpretado. Bem aplicada, sem os exageros da antiga União Soviética, a proposta socialista só edifica.

Essa questão é de cunho muito pessoal do padre e ele tem argumentos bons para tal, e no sentido que ele quis dizer, realmente é um bom argumento. Mas, como é uma questão mais de política social e envolve outros temas, não vamos comentar sobre essa alegação.

4ª alegação:

Outro ponto que merece ser observado é a falta de zelo pelo sacerdócio, de modo que, tanto em apresentações, quanto no dia-a-dia, quanto em programas de TV, o sacerdote não usa vestes clericais.

Dizer que um sacerdote só deve se vestir diferenciando-se dos leigos é algo absurdo, isto só seria válido aos judeus que ainda vivem segundo o antigo testamento e seguem as leis judaicas, isso não vale para o cristianismo. Onde vimos no Novo Testamento que Jesus ou seus discípulos se vestiam de forma diferente de pessoas “leigas”?

O próprio Jesus, que é o Criador do Universo, dono do ouro e da prata e tudo o que há, se vestia de forma simples como um galileu, tanto que para ser reconhecido pelos soldados romanos, o traidor Judas teve que beijá-lo para mostrar quem era Ele. Jesus se parecia muito com seus discípulos galileus e pregava a simplicidade. (Mateus 8:20)

Os católicos já se perguntaram como é que o apóstolo Pedro, considerado o primeiro papa da igreja se vestia?

Será que Pedro se vestia com roupas pomposas e queria ser diferenciado do “povo leigo”? (Marcos 14:70)

Não há heresia alguma em alguém querer se vestir da forma singela que achar melhor ou de qualquer outra forma, desde que não se ache escândalo nesta vestidura.

Conclusão

Por fim, não estamos aqui defendendo o padre Fábio de Melo, mas demonstrando a infantilidade ou falta de discernimento das acusações e alegações feitas por essas pessoas que estão se utilizando de um recurso online para afetar um líder de sua própria doutrina, sendo que poderiam pedir isso diretamente a liderança da igreja.

Ou será que os leigos também não podem conversar com os sacerdotes? Porém, o problema maior é que nem mesmo sabem o sentido de “heresia”, pois se soubessem, não ousariam em escrever tais banalidades.

Fica aqui uma pergunta: O que vale mais, o costume da igreja ou a Palavra de Deus?

Assista ao vídeo: 

 

Imagem fonte: Reprodução Google

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