A religião é a principal causa de guerras e violência?

Os ateus e humanistas seculares constantemente fazem alegações de que a religião é a principal causa violência e de guerra ao longo da história da humanidade. Sam Harris, um dos maiores líderes neo-ateístas da atualidade e anti-religioso, diz em seu livro The End of Faith (O fim da fé) que a fé e a religião são

as fontes mais prolíficas de violência em nossa história. [1]

Não há como negar que as campanhas, como as Cruzadas e a Guerra dos Trinta Anos foram fundamentadas sobre ideologia religiosa, porém é simplesmente incorreto afirmar que a religião tem sido a principal causa de guerras. Além disso, embora também não se tenha dúvida de que o grupo radical Islâmico foi o espírito por trás do atentado de 11 de setembro, é um engano dizer que todas as religiões contribuem igualmente para a violência por motivos religiosos e de guerras causadas.

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Uma fonte interessante de verdade sobre o assunto são os três volumes da Encyclopedia of Wars (Enciclopédia das Guerras) – de Charles Phillips e Alan Axelrod, que narram cerca de 1.763 guerras que foram travadas ao longo da história humana. Dessas guerras, os autores categorizam 123 como sendo de natureza religiosa, o que é surpreendentemente 6,98% de todas as guerras, ou seja, um número muito baixo. No entanto, quando se subtraem aquelas guerras travadas em nome do Islamismo – 66 guerras, o percentual é reduzido em mais da metade, cerca de 3,23%. [2]

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Isso significa que todas as crenças juntas – exceto o Islamismo – causaram menos de 4% de todas as guerras  e conflitos violentos na história da humanidade. Além disso, elas não desempenharam nenhum papel motivador nas grandes guerras que resultaram na maior perda de vidas.

O argumento de Sam Harris em xeque

A verdade é que as motivações não-religiosas e filosofias naturalistas são responsáveis por quase todas as guerras da humanidade. O número de vidas perdidas durante os conflitos religiosos são mínimos se comparados a imensa mortandade humana causada durante os regimes que não queriam saber de Deus – algo ressalvado na obra de Rudolph J Rummel: Lethal Politics and Death by Government (Política letal e Mortes por governo).

Ditador não religioso x Vidas perdidas [3]
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Joseph Stalin: 42.672.000 (milhões de mortes)
Mao Tse Tung - 37.828.000 (milhões de mortes)
Mao Tse Tung: 37.828.000 (milhões de mortes)
Adolf Hitler - 20.946.000 (milhões de mortes)
Adolf Hitler: 20.946.000 (milhões de mortes)
Chiang Kai-shek - 10.214.000 (milhões de mortes)
Chiang Kai-shek: 10.214.000 (milhões de mortes)
Vladimir Lenin - 4.017.000 (milhões de mortes)
Vladimir Lenin: 4.017.000 (milhões de mortes)
Hideki Tojo - 3.990.000 (milhões de mortes)
Hideki Tojo: 3.990.000 (milhões de mortes)
Pol Pot - 2.397.000 (milhões de mortes)
Pol Pot: 2.397.000 (milhões de mortes)

Rummel afirma que:

Quase 170 milhões de homens, mulheres e crianças foram baleados, espancados, torturados, esfaqueados, queimados, subnutridos (fome), congeladas, trituradas, forçadas a trabalhar até à morte; enterradas vivas, afogados, penduradas, bombardeadas ou mortas em qualquer outra de uma infinidade de maneiras em que governos infligiram a morte de cidadãos indefesos, desarmados e estrangeiros. O número de mortos poderia concebivelmente ser de 360 milhões de pessoas. É como se a nossa espécie fosse devastada por uma Peste Negra moderna. E de fato foi uma peste, mas não de germes e sim da praga do Poder. [4]

Esses números grotescos acima ainda não incluem as pessoas mortas nas guerras iniciadas por Estados oficialmente anticristãos, como os 25 milhões, em estimativa, de mortos na Segunda Guerra Mundial. [5]

As evidências históricas são bastante claras: As religiões não são a causa primária das guerras
Mas, se a religião não pode ser responsabilizada pela maioria das guerras e violência, então qual é a causa primária?

A mesma coisa que desencadeia todo o crime, a crueldade, a perda de vidas, e outras coisas ruins.

Jesus dá a resposta de forma muito clara:

Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem. Marcos 7: 21-23

O apóstolo Tiago naturalmente concorda com Cristo, quando diz:

De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Tiago 4: 1-2

No fim, as evidências mostram que os ateus, céticos e humanistas seculares (como o sr. Sam Harris), estão muito enganados sobre as guerras que eles desprezam tão desesperadamente. O pecado é a causa primária da guerra e da violência, não a religião, e certamente não o cristianismo.

Mas, se insistem em falar de quem matou mais, fato é (como comprovamos aqui) que a Anti-Religião foi quem matou mais pessoas.
E contra fatos não há argumentos!

Referências:

[1] Sam Harris, The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason

[2] Vox Day, The Irrational Atheist: Dissecting the Unholy Trinity of Dawkins, Harris, and Hitchens

[3] R. J. Rummel, Lethal Politics

[4] R. J. Rummel, Death by Goverment

[5] “World War II: In Depth”, Holocaust Encyclopedia. United States Holocaust Memoriam Museum

Gráficos: The Myth that Religion is the #1 Cause of War

Imagens dos ditadores e da imagem da capa, fonte: Reprodução Google

Nota: Além de seus livros, o  Dr. Rummel mantém um site pela Universidade do Havaí com dados e estimativas de guerras, conflitos, genocídios causados por Estados, perseguição a grupos específicos, etc… Rummel denomina tais barbaridades como “domocídio”. Acesse o site (em inglês/use tradutor) neste link.

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Um comentário em “A religião é a principal causa de guerras e violência?

  • 18 de novembro de 2016 em 9:58 AM
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    Tópico bem interessante. Faz a ressalva de que não é a crença a maior causadora de mortes por guerra, mas eu não sabia que era só 6%.
    Só discordo da parte dos muçulmanos no 11/9. Já está mais do que provado que foi serviço interno, apenas motivado pela ganância dos conglomerados a procura de petróleo. Bin Laden está bem obrigado.
    Doravante, o (neo)ateu não está interessado em fatos, a não ser que satisfaça suas prerrogativas. Poderia eu aqui citar muitas constações pró criacionismo, logo, sei também que não se dá pérolas aos porcos.
    O conceito de abiogênese é um exemplo bem claro disso. O crente na ciência acredita fielmente que viemos de um processo de macro evolução que se originou do nada. Ele acredita que essa tese científica é a sua libertação dos grilhões da religião. Só que esquecem de que essa tese foi criada por Aristóteles, baseada nos seus pressupostos religiosos.
    Ele afirmava que a vida orgânica brotava do nada através da intervenção da deusa Gaia, que hoje casualmente é chamada de mãe natureza.
    Mas é claro que ele estava errado. Pasteur provou isso CIENTIFICAMENTE.
    E essa temática infundada segue noutras circunstâncias, tal como a explanação desse tópico escrito acima.
    Parabéns pelo blog.

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