A moral cristã é responsável por sucesso na luta contra AIDS em países africanos

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A missa na minúscula igreja com telhado de zinco e meia dúzia de bancos de madeira numa rua de terra em Kampala, Uganda, está começando, e Louis Kermu, 27, sobe ao púlpito improvisado para dar seu testemunho.

Agradeço a Deus por me ajudar a continuar sexualmente puro. Não é fácil. Onde eu moro, as pessoas da minha idade ouvem músicas com referências sexuais que me tentam. Mas eu sigo acreditando. Seguem-se aplausos.

Todos os dias em Uganda, discursos como esse fazem apologia da abstinência sexual, uma estratégia abraçada pelo governo com ajuda das igrejas cristãs e financiamento do governo norte-americano (para as propagandas, contraceptivos, medicamentos, entre outras ferramentas), elevada a carro-chefe da política anti-Aids.

O governo de Uganda adotou uma estratégia chamada “ABC”, sendo que A é a inicial de abstinência, B é de “be faithful”, ou seja fiel, e C é para “condom”, ou camisinha. Um dos motivos para que essa estratégia ainda sobreviva há mais de 20 anos é o comprometimento das igrejas cristãs no país, que possui 42% da sua população de católicos e 42% de evangélicos. Assim, a taxa de contaminação que era de 30% nos anos 80, está em 7%.

O governo sabe que as igrejas são uma força moral poderosa em Uganda, quase invencível, e decidiu trabalhar com elas, afirma Paddy Musana, estudioso de questões religiosas da Universidade Makerere. [1]

Veja um exemplo de uma propaganda do governo de Uganda no combate à AIDS:

Cartaz do governo de Uganda para moralização das relações entres os casais. Estratégia tem dado resultado. Imagem fonte: Fábio Zanini
Cartaz do governo de Uganda para moralização das relações entres os casais. Estratégia tem dado resultado. Imagem fonte: Fábio Zanini

O pôster diz:

Um motorista responsável se importa com sua família; ele é fiel a sua mulher.

O foco não é tentar fazê-lo se proteger quando dormir com prostitutas, pelo contrário, a proposta é tentar convencê-lo, antes de tudo, a não ter a relação sexual fora do casamento. Parece ingênuo, mas funciona. Em Uganda, a promoção dos preservativos é a parte mais fraca da tríade “ABC. [2]

Ela (a estratégia ABC) provavelmente é mais potente do que as vacinas biomédicas que os cientistas esperam desenvolver no futuro. Se outros países tivessem seguido o exemplo de Uganda, milhões de vidas teriam sido poupadas, acredita Rand Stoneburner, ex-epidemiologista da Organização Mundial de Saúde (OMS). [3]

Outros países africanos também tem seguido o exemplo de Uganda, adotando a mesma “estratégia moral”

Zimbabwe está obtendo sucesso na prevenção e declínio da AIDS. De acordo um estudo publicado no periódico PLOS Medicine, em 1997 cerca de 29% da população adulta estava infectada, já em 2007 esse número caiu para 16%. O próprio título do artigo “Um Sucesso de Prevenção Surpreendente: Por que o declínio da epidemia de HIV no Zimbábue?” mostra a surpresa que os pesquisadores tiveram ao constatar esse fato. Embora o estudo não tenha citado explicitamente a questão moral por trás do sucesso no combate a AIDS, podemos ler de forma subjetiva essa referência como “mudança de comportamento”, a exemplo de Uganda, no primeiro parágrafo no “Summary Points”. [4]

Na Suazilândia o combate à AIDS também conseguiu sucesso com a cultura da moralidade cristã, seguindo o exemplo de Uganda. No texto emitido em 4/12/2006, durante o seminário “Como o Governo da Suazilândia e a crise da AIDS se cruzam“, o Embaixador da Suazilândia nos Estados Unidos, Ephraim M. Hlophe, explicou que,…

Sua Majestade, o Rei Mswati III, reconheceu a profundidade do problema e está olhando para outros países africanos como Uganda, a fim de encontrar modelos de luta contra o HIV/AIDS, aonde a noção de abstinência, fidelidade e preservativos é bastante sensata e por isso a estamos aplicando consistentemente como política.
Em anos passados vimos melhoras significativas em termos de pessoas que agora sim têm a vontade de ser examinadas para descartar a presença do vírus e assim se beneficiar dos remédios que o Fundo Mundial de luta contra a AIDS, tuberculose e malária envia.

No caso da AIDS, o contágio de pessoas infectadas caiu de 42,6% em 2004 para 39,2% em 2006. [5]

Polêmica

Embora seja muito eficaz essa estratégia adotada pelos governos com ajuda das igrejas, ela causa polêmica entre os grupos e organizações mais metodológicos – justamente por ser uma estratégia de moralização (cristã). Como demonstrado neste artigo, ao invés de massificar o uso de camisinhas (método adotado por outros países e preferido das organizações internacionais, como a ONU) esses países africanos investiram na mudança de comportamento. E tem dado certo, pois como os números oficiais mostram, “contra fatos não há argumentos“.

Em termos gerais isso diminui a necessidade do uso dos preservativos? Certamente que não! Até porque vivemos em uma sociedade eclética, com vários tipos de comportamentos sexuais, muitas vezes baseados em suas culturas de origem. Mas, mesmo com a eficácia entre 90-95% dos preservativos (quando usados corretamente)[6], não há o que se compare a uma consciência sadia, uma segurança de uma vida de fidelidade conjugal e auto controle (no caso dos solteiros).

Nota: Em 2015 foi publicado um estudo do Centers for Disease Control and Prevention (órgão do governo dos EUA dedicado ao controle e prevenção de doenças), sobre os comportamentos relativos à saúde de adolescentes em comparação com as suas atividades sexuais. Chegou-se a conclusão que os jovens abstêmios se expõem menos a riscos e consequentemente adotam hábitos mais saudáveis para toda a vida. Enquanto que os jovens que tem vida sexual ativa são mais propensos a uso de drogas, tabagismo, alcoolismo, envolvimento com brigas, contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, entre outros. [7]

Conclusão

A moral cristã – baseada nos princípios que Jesus nos deixou através de Sua Palavra, bem como dos conselhos de seus apóstolos – prega o amor incondicional entre o casal (Efésios 5:22-28Hebreus 13:4) de modo que eles se tornem como um só corpo, tanto sexualmente quanto no relacionamento interpessoal (Mateus 19:6; 1 Coríntios 7:3-5). Também prega a retidão quando necessária (1 Coríntios 6:15-20; 1 Coríntios 7:8-9), simplesmente porque é o melhor para a vida física e espiritual do ser humano, sendo que o próprio Deus o ajudará a manter sua integridade (1 Coríntios 10:12-13).

O sistema do mundo pode tentar mudar aquilo que Deus projetou para o ser humano, através de argumentos de liberdade sexual, relacional, social, etc; utilizando-se de ferramentas de “auto preservação” (preservativos) e de “correção” (remédios) que passam a falsa ideia de liberdade e de ajuda humanitária. Mas, como podemos ver neste artigo, nada melhor do que seguir aquilo que Deus, na sua eterna sabedoria, já havia preparado para nós: um modelo de conduta moral correto, que se colocado em prática, como vimos, é melhor do que qualquer outro.

 

Referências:

[1] Folha de São Paulo – Religiosa, Uganda usa moralismo contra a Aids

[2] Pé na África – Aids em Uganda: o moralismo funciona

[3] Revista Seleções Reader’s Digest – “Contra a Aids”, edição de Janeiro de 2004.

[4] PLOS Medicine – A Surprising Prevention Success: Why Did the HIV Epidemic Decline in Zimbabwe?

[5] ACI Digital – Embaixador da Suazilândia nos EUA incentiva a abstinência na luta contra a AIDS

[6] Ministério da Saúde do Brasil – Sobre a eficácia da camisinha

[7] Centers for Disease Control and Prevention – Sexual Identity, Sex of Sexual Contacts, and Health-Related Behaviors Among Students in Grades 9–12 — United States and Selected Sites, 2015

Imagem fonte: Reprodução Google


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