Raciocínios: Roger Bacon

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Roger Bacon

Frade Franciscano e Filósofo inglês, teve suas realizações filosóficas mais notáveis nas áreas de matemática, ciências naturais e estudos de línguas. Uma característica marcante de sua visão filosófica foi sua ênfase na utilidade e praticidade de todos os esforços científicos. Bacon estava convencido de que a matemática e a astronomia não são atividades moralmente neutras, prosseguidas por seu próprio bem, mas têm uma conexão profunda com os temas práticos da vida cotidiana.

Em sua carreira acadêmica estudou nas duas maiores universidades europeias, Oxford e Paris e também foi Mestre em Artes e Letras. Como um Frade Franciscano, estava comprometido com uma visão filosófica que estava profundamente imbuída de princípios cristãos, bem como uma grande curiosidade científica.

Ele estava comprometido com a visão de que a sabedoria deveria contribuir para a melhoria da vida. Por exemplo, seus amplos trabalhos sobre a reforma e reorganização do currículo universitário foram, na superfície, destinados a reformar o estudo da teologia; ainda que em última instância. Bacon acreditava que suas reformas também promoveriam um conhecimento operacional prático capaz de aliviar o sofrimento humano ou de garantir a supremacia cristã, em caso de guerra.

Embora a insatisfação com o status quo do ensino e da pesquisa constituísse uma grande desculpa das ciências de Bacon, ele também apresentou material original sobre método científico, em Scientia Experimentalis, por exemplo, bem como conteúdo científico original, como em sua doutrina de causalidade física.

Bacon é digno de ser um dos primeiros comentaristas e palestrantes do Ocidente na filosofia e ciência de Aristóteles. Ele foi chamado de Doutor Mirabilis (professor maravilhoso) e descrito de forma diversificada como rebelde, tradicionalista, reacionário, mártir do progresso científico e o primeiro cientista moderno. Infelizmente, esses epítetos românticos tendem a desfocar a natureza real de suas conquistas filosóficas.

Quando ingressou para a Ordem dos Franciscanos, foi fortemente influenciado por Robert Grosseteste, dedicando-se aos estudos nos quais introduziu a observação da natureza e a experimentação como fundamentos do conhecimento natural. Roger Bacon, então, vai um passo além de seu tutor e descreve o método científico como um ciclo repetido de observação, hipótese, experimentação e necessidade de verificação independente. Ele registrava a forma em que conduzia seus experimentos em detalhes precisos de forma que outros pudessem reproduzir seus experimentos e testar os resultados. Essa possibilidade de verificação independente é parte fundamental do método científico atual. Pode-se dizer que Roger Bacon é o “pai do método científico”.

Seus avanços nos estudos da ótica possibilitaram a invenção dos óculos e seriam em breve imprescindíveis para a invenção de instrumentos como o telescópio e o microscópio. Bacon propagou o conceito de “leis da natureza“, fato importante num período do século XIII em que estavam ocorrendo constantes modificações no pensamento filosófico e na filosofia da natureza.

Os conceitos fundamentais em torno dos quais todos os esforços filosóficos de Bacon giravam eram utilitas (“utilidade”) e sapientia (“sabedoria”). Bacon usou o conceito de utilidade no contexto de suas reflexões sobre a relação, alcance e objetivo das ciências. Mais especificamente, ele usou o termo em dois sentidos: (1) descrever a hierarquia entre as ciências e (2) se referir à função das ciências, a saber, a melhoria do bem-estar físico e espiritual da humanidade nesse mundo.

Com respeito à hierarquia das ciências, considerou as ciências teóricas subordinadas às ciências práticas. Para ele, o primeiro é fundamental para alcançar os objetivos do último. Aqui é importante ter em mente que a concepção de filosofia de Bacon não implicava a ideia patrística de que a filosofia é meramente uma serva de teologia (philosophia ancilla theologiae). A filosofia, embora útil para a teologia, não é reduzida à teologia. Pelo contrário, Bacon acreditava que a teologia, para cumprir seu propósito, dependia fortemente da filosofia. E, no entanto, a utilidade da filosofia e da teologia se refere ao propósito ordenado por Deus ao mundo criado, que Bacon reconheceu no retorno de todas as criaturas à sua origem divina.

Muitos dos escritos de Bacon testemunham a sua preocupação não só pelo conteúdo do conhecimento (isto é, o material disponível), mas também pela qualidade do conhecimento adquirido (idealmente, as conclusões devem ser realizadas de uma maneira que penetra e tranquiliza a alma e deixa-o em um estado de certeza e sem dúvida). Assim, quando Bacon disse que “[…] nada pode ser suficientemente conhecido sem experiência“, ele quis enfatizar o papel que a percepção sensorial individual (e especialmente a visão) desempenha no processo de aprendizagem.

Para Bacon,

[…] o aprendizado denota não apenas o processo de aquisição do conhecimento, mas também o processo de restauração da sabedoria que foi dado por Deus no início dos tempos e posteriormente perdido pelo pecado.

Assim sendo, o conhecimento experiencial é de fundamental importância no projeto de reforma de estudos de Bacon. Sua importância e utilidade se estenderam muito além da esfera teórica, abrangendo o progresso na ciência e tecnologia aplicadas e, idealmente, levando a amplas melhorias na Igreja e no Estado.

 

Fonte:

IEP – Internet Encyclopedia of Philosophy.

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