Por que Eliseu amaldiçoou crianças para serem devoradas por ursos?

Uma das passagens bíblicas mais controversas e criticadas por céticos e até mesmo por crentes, descreve a história em que Eliseu amaldiçoa os quarenta e dois “meninos (ou crianças)” que foram atacados e devorados por duas ursas:

Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, saíram algumas crianças (na’ar) para fora da cidade, e zombavam dele, e disse-lhe: Sobe, calvo! Sobe, calvo! E virou-se para trás, os viu, e as amaldiçoou em nome do Senhor. E apareceram duas ursas para fora da floresta, e devorou quarenta e duas crianças (yeled) dentre eles. 2 Reis 2:23-24 (KJV)

chartObviamente que por mais explicações que se dê a esta passagem, o fato é que algo terrível aconteceu e foi relatado na Bíblia como vimos acima, ou seja, não adianta darmos “desculpas” ao que ocorreu, mas vamos tentar entender o porque ocorreu, mesmo que para nós pareça injusto e cruel (vamos ao original escrito), e logicamente, sabemos que para alguns, essa explicação não será suficiente.

É interessante notarmos que  quando vem a calhar, ou seja, em eventos “ruins” que ocorreram e foram relatados na Bíblia, ela é considerada como um livro de fatos ocorridos por aqueles que criticam a historicidade e importância dela. Mas quando ela relata eventos “bons”, profecias que se cumprem, milagres, libertação, relacionamento com Deus, plano da salvação, vinda de Jesus, etc… daí ela é considerada um livro de fábulas.

Ora, a Bíblia não é um livro especificamente de história, ela é como se fosse um “manual de sobrevivência espiritual” do crente, porém ela também contém história, e como todo bom livro de história, deve conter os fatos que realmente ocorreram, por mais terríveis e controversos que eles sejam.

Não pode haver dúvida de que esta história termina em tragédia, mas o que é muitas vezes esquecido é quem foram as crianças. Uma leitura rápida desta escritura, faz parecer que o profeta Eliseu maliciosamente condenou as criancinhas (alguns afirmam que eram crianças com menos de dez anos de idade) por simplesmente tirar sarro dele. A infeliz tradução de duas palavras hebraicas para o português, traduzidas como “crianças” ou “meninos”, não nos dá o escopo completo de sua gama de significados.

A palavra na’ar foi aplicada a vários indivíduos que não eram claramente crianças. Isaac foi chamado na’ar quando tinha 28 anos de idadeJosé também foi chamado de na’ar quando tinha trinta e nove anos. Existem outras passagens em que esta palavra se aplica a homens crescidos (alguns teólogos consideram “rapazes”. RC).

A palavra yeled tem representações semelhantes, por isso não há necessidade de continuarmos mais neste ponto.

Mesmo que estes fossem homens já crescidos, ainda parece ser um ato duro para Eliseu amaldiçoá-los para fazer o divertimento dele, certo?

Vamos olhar o que potencialmente está acontecendo aqui. Não podemos realmente saber com certeza, uma vez que não estávamos lá, mas há algumas pistas sobre o que estava acontecendo:

eliseu-011ª pista: Parece que estes homens estavam fazendo mais do que zombar do profeta, provavelmente estavam ameaçando-o. Ao dizerem-lhe “sobe”, pode ser entendido como uma ameaça para sair deste mundo (como seu mentor – Elias – milagrosamente saiu), ou eles iriam tentar isso através de outro meio. E com quarenta e dois rapazes vindo sobre ele para o atacar, poderiam facilmente vencê-lo, salvo um milagre, e é aí que as ursas vieram a intervir.

2ª pista: Também é possível que ele não tenha sofrido nenhum ataque, além de zombaria. No entanto, esta ainda é uma acusação séria no Antigo Testamento, antes que o novo Pacto da Graça fosse iniciado. Deus, por várias razões, colocou seus profetas sob um juramento sério (para manter a pureza e santidade conservada) e aqueles que os desafiassem, não deviam ser tolerados.

Outro exemplo disso seria o caso onde duzentos e cinquenta pessoas tentaram usurpar a autoridade de Moisés e Arão, e sabemos pela própria Palavra que estes homens tiveram um terrível fim. (Números 16:28-33)

Devemos lembrar que a palavra “profeta” significa “boca de Deus”, ou seja, aquele que Deus escolhia para ser Seu porta-voz na Terra e levar a mensagem da vontade santa dEle para os homens. O povo deveria respeitar o profeta por esta grande tarefa, coisa que essas “crianças”, que agora sabemos que eram “homens”, não estavam fazendo.

Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Gálatas 6:7 (ARA)

Isto tudo possivelmente aconteceu com intuito de guardar os judeus da apostasia, como as nações pagãs faziam; afinal, eles eram pessoas que deveriam preservar a Palavra de Deus para, finalmente, gerar o Messias para salvação de toda a humanidade (Gênesis 3:15).

Se Deus permitisse uma frouxidão de direito, a tibieza das pessoas teria se seguido e esta realidade poderia nunca se materializar.

 

Imagens fonte: Reprodução Google

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